Como ler livros chatos

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Olá, leitoras (e alguns leitores :-) )!  Em 2013 eu acabei não conseguindo fazer a quantidade de resenhas que havia planejado. Logo no início do ano, assumi novas responsabilidades que não apenas ocuparam mais do meu tempo como também me obrigaram a me atualizar em tempo recorde. Tive que ler muitos livros técnicos e artigos que me possibilitassem ampliar a minha mente e pensar fora da caixinha.

Foi complicado porque tudo o que eu queria era mergulhar em algum livro prazeroso, de algum assunto que me agradasse. A linguagem de alguns livros técnicos e didáticos é muito cansativa e dá vontade de dormir. E  por mais que você goste de um assunto, cansa ver a mesma coisa todas as vezes. O cérebro precisa variar.

Eu me sentia um grande computador fazendo um download lento e doloroso de informações, porque queria estar fazendo outras coisas, queria estar lendo outras coisas e me sentia obrigada a ficar ali, lendo aquele negócio chato até o fim. O resultado era que o negócio que não era tão chato acabava ficando muito chato pela minha forma de encarar. Demorou um pouquinho até me dar conta de que eu estava me sabotando e que a coisa toda poderia ser feita com menos sofrimento. Para muitos, a leitura, em geral, é esse download lento e doloroso. Eis os problemas e os antídotos:

 

1 – O livro é realmente chato. – Nem sempre a culpa é sua. Alguns livros são realmente chatos. Assuntos interessantes, títulos interessantes, ideia excelente, mas péssima execução. Texto confuso, palavras complicadas, frases que dão voltas e voltas e a gente se perde na metade. O livro se arraaaaasta e você quer jogá-lo pela janela.

Como resolver? Se você for obrigada a ler ou quiser muito ler, é possível terminar. Seu foco deve estar no que é positivo: o assunto, a ideia. Tente entender o que o autor quis dizer, sem se focar na chatice. Mas é bom se certificar de que não se trata de nenhum dos próximos motivos…

2 – O livro não é chato, mas o assunto não lhe proporciona prazer. – Isso é muito, muito comum. Você fica pensando que poderia estar lendo um livro de ficção bem bacana, ou que tinha que fazer as unhas porque esse esmalte vermelho já está descascando e você queria trocar por um rosa (momento autobiográfico), ou que talvez alguém esteja falando alguma coisa legal no Facebook. O problema aqui é a tendência de viver de acordo com o que sente. Você quer sentir prazer. Você quer ter vontade de fazer as coisas. Isso é preguicite aguda. Cuidado para não se tornar crônica.

Como resolver? O antídoto é fazer o que tem de ser feito e não só o que você tem vontade. O prazer de ter concluído uma tarefa complicada é sempre maior do que o sacrifício a ser feito no processo. Renuncie à sua vontade pelo bem maior do resultado. Pense em como aquele livro será útil e importante e no quanto você será mais feliz depois de terminá-lo.

3 – Você está achando o livro chato porque não entende nada do assunto. – O livro não é chato de verdade. O problema é que na sua cabeça você fica pensando: “Não entendo isso”; “Não estou conseguindo entender”; “Não sei nada sobre isso”; “Nossa, isso é muito difícil”. Por que raios seu cérebro vai guardar alguma coisa? Você está dando a ele ordens para nem tentar entender porque você não consegue e tudo é muito difícil. Aí, naturalmente, ele vai achar a tarefa inútil e tentar desviar sua atenção para algo que você saiba fazer ou que seja fácil.

Como resolver? O antídoto aqui é pensar: “Puxa, que legal, eu vou conseguir entender tudo sobre esse assunto lendo esse livro!”; “Barbaridade, como eu era limitadinha antes, ainda bem que com esse conteúdo vou ampliar a minha mente”. Com reforço positivo, você está apertando em seu cérebro o botãozinho “aprender”. Quando desenvolver intimidade com o assunto, vai achar muuuito legal.

 

Pense em um livro em que você mergulhou. Nada a Perder, por exemplo. A maioria dos leitores de Nada a Perder (tanto o 1 quanto o 2) nem viu o tempo passar ao ler o livro. Por quê? Porque o assunto lhes interessava, o livro é bem escrito, linguagem fácil, bem estruturada e que, portanto, flui bem, e esses leitores estavam motivados a ler (se não começaram motivados, certamente se motivaram pelo desenrolar da narrativa). Então, isso significa que já tem um caminhozinho aí no seu cérebro para ler com facilidade. Escondido pelo matagal, mas existe. E se você ainda não teve essa experiência, então se prepare, pois 2014 será o ano em que você se tornará uma leitora fluente.

E por favor, pare com essa mania de dar ordens negativas para o seu cérebro. Tenha sabedoria na hora de embarcar em uma leitura, para conseguir tirar o máximo dela.  Este ano vamos fazer um treinamento intensivo para transportar sua mente a um outro nível de aproveitamento! :-)

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