Cobrar notas dos filhos é um bom caminho? Especialistas contam

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O fim de ano se aproxima e, com ele, as provas finais no colégio e o temido boletim. As notas, claro, são muito importantes para a vida acadêmica, mas cobrar esses resultados das crianças é uma missão delicada e que poucos pais sabem conduzir. “A cobrança em si não é errada, o exagero sim, diz Helena Machado de Paula Albuquerque, Doutora em Educação, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

De acordo com a estudiosa, o acompanhamento escolar deve ocorrer, mas de uma maneira menos incisiva ou os resultados podem ser desastrosos. “A criança deve ser acompanhada na sua vida escolar até que consiga seguir por si, porém a cobrança se intensa poderá restringir a autonomia, segurança e o protagonismo da criança tornando-a dependente e em casos extremos alienada ou revoltada.”

Para Roberto Nasser, Coordenador de História, Filosofia e Orientação Profissional do Colégio Bandeirantes, é importante que os pais percebam as armadilhas de criar sistemas de recompensa ou de partir para a violência física ou psicológica. “Se isso traz algum efeito, é a curtíssimo prazo. No caso da barganha, o aluno acaba sendo motivado por recompensa, mas a vida não é assim. Ele precisa saber lidar com adversidades ou você não desenvolve a pessoa”, defende.

Cuidado com os impactos

Roberto Nasser defende que a autonomia da criança demora muito mais para se desenvolver, já que apenas corre atrás das notas e afins por causa dos pais.

E os impactos negativos gerados na vida da criança podem persistir mesmo depois de adulta e fora do campo acadêmico. “A pessoa pode se tornar insegura, ansiosa, sedenta de elogio ou sempre à espera de uma reprimenda e isto influencia os seus relacionamentos. Com os filhos, a tendência será de repetição das atitudes dos pais”, explica a doutora Helena.

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